Têm visto as capas dos jornais? Esqueçam. Isso era dantes. Encostem o ouvido. Há um som por detrás de títulos como “Schjelderup explode no Mundial, Benfica já faz as contas aos milhões”, ou “Portas de saída estão abertas”, ou ainda “Venham, venham, levem o moço, quem dá mais?!”.
É o som de mãos a esfregar. As mãos dos grupos de comunicação a vender publicidade, dos comissionistas que facturam, da direcção do Benfica, pelos milhões que espera amealhar para gastar sabe-se lá em quê, e dos adversários do Benfica, por razões que não é preciso explicar.
Tempos houve em que o adepto vibrava com os jogadores do seu clube a brilhar nas grandes competições de selecções. Hoje tem medo que joguem bem. E pensa para consigo coisas como: “Sim, senhor”. E outras.
Quarenta milhões é o número de que se fala. E é um belo número: quarenta dias de Dilúvio, quarenta anos no deserto, quarenta ladrões a dizer “abre-te Sésamo” e, agora, quarenta milhões a dizer “passa para cá o Schjelderup”. Dá para imprimir uma data de zeros no relatório e contas e dá também para o presidente aparecer na televisão com a gravidade de quem salvou a pátria de uma invasão estrangeira. Dará até, quem sabe, para reduzir qualquer coisa à dívida.
Pois ouçam, vós que ainda tendes ouvidos para ouvir: a dívida não joga a extremo!
(A dívida não joga a extremo: eis uma frase para estampar em camisolas, bonés e, se possível, na testa dos directores financeiros.)
Schjelderup chegou à Luz em 2023. Era um rapaz de rosto imberbe, cabelo demasiado liso e um nome que parecia o ruído final de uma palhinha num batido de morango. “Schjelderup.” Digam-no devagar. Há no nome uma sucção, uma lambidela, qualquer coisa de Magali a engolir uma melancia. O futebol português desconfia de um homem sem olheiras. Um jogador com aquela cara podia, quando muito, pedir licença para ir à casa de banho durante a aula de matemática.




Quem achar que ... alguns dirigentes... não ganham com estas negociatas, que atire a primeira pedra!
Aprecio a forma e o conteúdo .Boa crítica a mais um episódio de gestão anti-desporto. Permito -me mesmo dizer gestão anti-Benfica.
Hoje mesmo comentando com outro Benfiquista os últimos acontecimentos concluímos que já nada impedirá que Rui Costa fique na história como o pior dirigente de sempre do nosso grande clube.