R.A.P.A.! ou o último cromo da Praça de Alvalade
[Publicado na Tribuna Expresso a 3 Jun. 2026]
Hoje trago cromos. Ou melhor, não trago.
Há quatro semanas que, nesta modesta casa, se procuram carteirinhas do Mundial. Uma só que seja. Não pedimos a lua, nem sequer um Presidente competente para o Benfica. “Carteirinha” e não “saqueta”, como agora parece que se diz. A saqueta serve para conservar pozinhos farmacológicos do tipo Aspegic ou cocaína. A carteirinha é outra coisa: o envelope sagrado onde repousa o autocolante a que chamamos cromo, esse pequeno milagre de papel onde a infância futebolística habita.
Mas é essa a explicação. Faz sentido dizer saquetas. Os cromos da Panini são mesmo uma espécie de droga. Há fábricas a trabalhar 24 horas por dia, vendedores a racionar, gente a acordar de madrugada para se plantar à porta dos quiosques, burlas na Internet, adultos a telefonar para papelarias como quem liga para o dealerpara saber se há “produto” disponível. Tudo isto por causa de quadradinhos com imagens impressas de futebolistas. Quem um dia disse que o homem é um animal racional, não teve em conta a possibilidade de ele vender a alma por um médio-defensivo da Arábia Saudita.
Temos andado por todo o lado. Os miúdos e eu. Já batemos toda a papelaria, quiosque e tabacaria desta cidade. Na manhã de Sábado passado, só no eixo Lumiar-Alvalade, percorremos os seguintes estabelecimentos: Papelaria Tabacaria — Brindes Santo António, ali na Marquesa de Alorna, perpendicular à Avenida da Igreja; Tabacaria e Papelaria Brasil, no cruzamento da Avenida de Roma com a Avenida do Brasil; Tabacaria Papelaria Marta, do outro lado da rua; Tabacaria Brasília, na Avenida do Brasil, sentido descendente; e, por fim, a Tabacaria Artemisa, na Avenida Rainha Dona Amélia, Lumiar.
Nada.




Fabuloso! Não fazia ideia de mais este flagelo.
Não se preocupem... o Trump vai resolver MAIS ESTE problema!!!!